Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa. Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder.
Ela sentia saudades, ele curtia a vidinha miserável dele. Ela cansou, foi se divertir, e ele? Ele começou a notar que era ela que tornava a vida dele animada.
Dependendo de quem vem, um “dorme bem” vale muito. E a gente acaba mesmo indo dormir bem.
Ela tinha 14 e ele 21, eram totalmente diferentes. Ela gostava de Rock e ele de Rap, ele fazia bico nos horários vagos e ela estudava na casa das amigas. Isso aconteceu em 1974, e foi tudo por acaso. - Dizia a filha deles.
Ele acorda, olha para o lado e a vê dormindo. A cutuca carinhosamente até que ela acordasse. E sussurrando:
— Bom dia, princesa.
— Oi. — Ela ainda estava abrindo os olhos.
— Dormiu bem?
Ela faz que sim com a cabeça. — Que horas são?
— Duas.
— Da manhã?
— Não Babi, duas da tarde.
— Tarde? Já?
— Sim, dorminhoca.
Ela se vira para ele. Ele a agarra por trás.
— Tô com fome, Babi.
— Eu também amor. Vai preparar alguma coisa.
— Eu não amor, vai você, prepara nosso almoço.
Ela sorri e se vira novamente, o olha e diz:
— Me sinto como se eu fosse sua esposa quando você diz isso.
— Mas você é a minha esposa, amor.
— Sou?
— Claro, já casamos umas dez vezes.
— E como estou me saindo como esposa?
— Bem, até que tá se saindo bem. Tirando os ciúmes, teus gritos, tuas birras e você me xingando, tá bem sim.
Ela fica quieta.
— Que foi, Babi?
— Me senti a pior esposa do mundo agora, Lucas.
— Porque? Você é perfeita.
— Mas você disse que sou ciumenta birrenta que te xingo.
— Mas não deixa de ser perfeita amor.
Ela novamente fica em silêncio. Ele a agarra mais forte ainda.
— Babi, você é a garota que todo cara já pensou em ter.
— Sério?
— Sim amor, mas tem uma coisa.
— Que coisa?
— Você não é a garota que um dia eu já quis ter.
Ela o olha, uma lágrima cai de seus olhos e ele diz bem baixinho:
— Você é mais, muito mais.
Ela sorri. — Idiota, me assustou.
— Eu sei. — Ele sorri.
— Me pede desculpas, agora.
— Só depois que fizer nosso almoço.
— Você tá merecendo comer ração.
— Não quero ração, o gorda.
— E quer o que?
— Você. — Ele a beija no pescoço.
Ela o empurra. — Só depois que me pedir desculpas. — E começa a rir.
— Idiota, estragou o clima. — Ele dá as costas para ela.
Ela sorri, se levanta, pula em cima dele e diz:
— Quer tentar outra vez?
— Com você?
— Sim.
— Quantas vezes for necessário.
Se eu gostar de você aviso de antemão que você é uma pessoa de sorte. Eu me entrego. Quem vive comigo sabe. Quem convive comigo sente. Eu amo poucos. Mas esses poucos, pode apostar, amo muito.
Sabe quando bate aquela vontade de voltar no tempo, só pra ter de volta tudo aquilo que se foi ou que se perdeu? Sempre vem uma sensação de que as coisas seriam bem melhores e não estaria arrependido hoje.